10 PASSOS PARA SIMPLICIDADE | Richard Foster

Olá leitores, aqui é o Lucas Santos, trago hoje um texto que me inspirou MUITO e acredito que irá lhe inspirar também – 10 Passos para simplicidade cristã escrito por Richard Foster 😉

Desejo arrolar dez princípios controladores para a expressão exterior da simplicidade. Não devem ser considerados como leis mas como uma tentativa de consubstanciar o significado da simplicidade na vida do século vinte.

Em primeiro lugar, compre as coisas por sua utilidade e não por seu “status”.

Os automóveis devem ser comprados por sua utilidade, não por seu prestígio.

Considere andar de bicicleta. Na construção ou compra de casas, pense na habilidade em vez de pensar na impressão que ela causará aos outros. Não tenha casa maior do que o razoável. Afinal de contas, quem necessita de sete quartos para duas pessoas?

Considere suas roupas. Muitas pessoas não têm necessidade de mais roupas.

Compram mais, não porque precisem, mas porque desejam andar na moda. Enforque a moda. Compre somente aquilo de que você precisa. Use suas roupas até que se gastem. Pare com o esforço de impressionar as pessoas com suas roupas e impressione-as com sua vida. Se for prático no seu caso, aprenda a alegria de fazer roupas. E, pelo amor de Deus (e digo isto muito literalmente), use roupas práticas em vez de roupas ornamentais. João Wesley declarou: “Quanto a aparelho, compro o mais duradouro e, em geral, o mais simples que posso. Não compro móveis, senão o que for necessário e barato.”

Segundo, rejeite qualquer coisa que o esteja viciando. Aprenda a distinguir entre a verdadeira necessidade psicológica, como ambientes alegres e o vício.

Elimine ou reduza o uso de bebidas que viciem e não são nutritivas: álcool, café, chá, Coca-Cola, etc. Se você está viciado em televisão, venda o aparelho ou se desfaça dele de qualquer jeito. Qualquer dos meios de comunicação que você acha não poder viver sem eles: rádios, estéreos, revistas, filmes, jornais, livros – trate de livrar-se deles. O chocolate tornou-se um vício grave para muitas pessoas. Se o dinheiro lançou garra sobre seu coração, dê uma parte e sinta a liberdade interior. Simplicidade é liberdade, não escravidão.

Recuse ser escravo de qualquer coisa, exceto de Deus.

Terceiro, crie o hábito de dar coisas. Se você acha que se está apegando a alguma posse, considere dá-la a alguém que necessite. Ainda me lembro do Natal em que resolvi que melhor do que comprar ou mesmo fazer um objeto para uma determinada pessoa, eu lhe daria algo que significava muito para mim. Meu motivo era egoísta: desejava conhecer o livramento oriundo deste simples ato de pobreza voluntária. Esse algo era uma bicicleta de dez marchas. Enquanto eu me dirigia para a casa do amigo para entregar o presente, lembro-me de cantar com novo significado o coro de um hino que diz: “De graça, de graça recebestes; de graça, de graça dai.”

Ontem meu filho de seis anos ouviu falar de um coleguinha que precisava de uma lancheira, e perguntou-me se ele podia dar-lhe a sua. Aleluia!

Desacumule. Quantidades de coisas que não são necessárias complicam a vida.
Elas precisam ser classificadas e guardadas e espanadas e reclassificadas e guardadas de novo ad nauseam. Muitos de nós poderíamos livrar-nos da metade das coisas que possuímos sem nenhum sacrifício grave. Faríamos bem em atender o conselho de Thoreau: “Simplifique, simplifique.”

Quarto, recuse ser dominado pela propaganda dos fabricantes de bugigangas modernas. Esses inventos para poupar tempo quase nunca poupam tempo. Cuidado com as palavras: “Paga por si mesmo em seis meses.” A maioria desses inventos são feitos para desarranjar-se, desgastar-se e assim complicar nossa vida em vez de ajudar. Este problema é uma praga da indústria de brinquedos. Nossas crianças não precisam ser entretidas por bonecas que choram, que comem, que urinam, suam e cospem. Uma velha boneca de trapo pode dar mais alegria e durar muito mais.

Muitas vezes as crianças encontram maior alegria em brincar com panelas e bules velhos do que com o último aparelho espacial. Procure brinquedos educativos e duráveis. Faça você mesmo alguns.

Em geral essas engenhocas são um dreno desnecessário dos recursos energéticos do mundo. Os Estados Unidos têm menos de 6% da população mundial, mas consomem cerca de 33% da energia do mundo. Nos Estados Unidos, só os condicionadores de ar usam a mesma soma de energia que usa a China com seus 830 milhões de habitantes. A responsabilidade ambiental seria suficiente para livrar-nos da maioria desses aparelhos produzidos hoje.

Os anunciantes tentam convencer-nos de que pelo fato de o mais novo modelo disto ou daquilo ter um novo característico (ninharia?), devemos vender o antigo e comprar o novo. As máquinas de costura têm novos pontos, os gravadores de fita têm novos botões, as enciclopédias têm novos índices. Tal dogma de comunicação precisa ser cuidadosamente examinado. Muitas vezes os “novos” característicos são apenas um meio de induzir-nos a comprar o de que não necessitamos. Provavelmente aquele refrigerador nos servirá muito bem pelo resto de nossa vida mesmo sem o dispositivo automático de fazer gelo e sem as cores do arco-íris.

Quinto, aprenda a desfrutar das coisas sem possuí-las. Possuir coisas é uma obsessão de nossa cultura. Se as possuímos, achamos que podemos controlá-las; e se podemos controlá-las, sentimos que nos darão maior prazer. Essa idéia é uma ilusão. Muitas coisas na vida podem ser desfrutadas sem que as possuamos ou controlemos. Partilhe das coisas. Aproveite a praia sem achar que você tem que comprar um pedaço dela. Aproveite as bibliotecas e os parques públicos.

Sexto, desenvolva um apreço mais profundo pela criação. Aproxime-se da terra.
Ande sempre que puder. Ouça os pássaros – eles são mensageiros de Deus. Goze da textura da grama e das folhas. Maravilhe-se com as ricas cores que há por toda parte. Simplicidade significa descobrir uma vez mais que “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém” (Salmo 24:1).

Sétimo, olhe com cepticismo saudável todos os planos de “compre agora, pague depois”. Eles são uma armadilha e servem para aumentar sua escravidão. Tanto o Antigo como o Novo Testamento condenam a usura e o fazem por bons motivos. (Na Bíblia, o termo “usura” não é empregado no sentido moderno de juro exorbitante; refere-se a qualquer tipo de juro.) A cobrança de juro era considerada como exploração antifraternal do infortúnio de outrem, daí uma negação da comunidade cristã. Jesus denunciou a usura como sinal da velha vida e admoestou seus discípulos a emprestar “sem esperar nenhuma paga” (Lucas 6:35).

Essas palavras da Escritura não deveriam ser interpretadas como um tipo de lei universal imposta a todas as culturas em todos os tempos. Mas também não devem ser consideradas como totalmente inaplicáveis à sociedade moderna. Atrás dessas injunções bíblicas estão séculos de sabedoria acumulada (e talvez algumas experiências amargas!). Certamente a prudência, bem como a simplicidade, exigiriam que usemos de extrema cautela antes de incorrermos em dívida.

Oitavo, obedeça às instruções de Jesus sobre a linguagem clara, honesta. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim: não, não. O que disto passar, vem do maligno” (Mateus 5:37). Se você consente em executar uma tarefa, execute-a. Evite a bajulação e as meias verdades. Faça da honestidade e da integridade os característicos distintivos de seu falar. Rejeite o jargão e a especulação abstrata cujo propósito é obscurecer e impressionar, em vez de esclarecer e informar.

A linguagem clara é difícil porque raramente vivemos a partir do Centro divino, raramente respondemos só aos impulsos celestiais. Muitas vezes o medo do que os outros possam pensar ou uma centena de outros motivos determinam nosso “sim” ou “não” em vez da obediência aos estímulos divinos. Se surge uma oportunidade mais atraente, ou uma situação que nos coloca numa luz melhor, logo invertemos nossa decisão. Se, porém, nosso falar procede da obediência ao Centro divino, não veremos motivo para tornar nosso “sim” em “não” e nosso “não” em “sim”.

Estaremos vivendo em simplicidade de linguagem pois nossas palavras têm somente uma Fonte. Soren Kierkegaard escreveu:

“Se és absolutamente obediente a Deus, então não existe ambigüidade em ti e… tu és mera simplicidade perante Deus.
…. Uma coisa há que a astúcia de Satanás e todos os laços da tentação não podem apanhar de surpresa: a simplicidade.”

Nono, recuse tudo quanto gere a opressão de outros. Talvez ninguém tenha corporificado mais plenamente este princípio do que John Woolman, o alfaiate quacre do século dezoito. Seu famoso Diário está cheio de ternas referências a seu desejo de viver sem oprimir a outros.

“Aqui fui levado a uma contínua e laboriosa investigação para saber se eu, como indivíduo, evitava todas as coisas que tendiam a fomentar guerras ou eram com elas relacionadas, fosse neste país ou na África; meu coração estava profundamente interessado em que no futuro eu pudesse, em todas as coisas, manter-me constante à pura verdade, e viver e andar na lisura e simplicidade de um sincero seguidor de Cristo. … E aqui a luxúria e a cobiça, com as numerosas opressões e outros males que as acompanham, pareciam-me muito aflitivas e senti, naquilo que é imutável, que as sementes de grande calamidade e desolação são semeadas e crescem depressa neste continente.”

Este é um dos mais difíceis e sensíveis problemas com que se defrontam os cristãos do século vinte. Em um mundo de recursos limitados, leva nossa cobiça de riqueza à pobreza de outros? Deveríamos comprar produtos fabricados por pessoas que são forçadas a trabalhar em estúpidas linhas de montagem?

Desfrutaremos de relações hierárquicas na companhia ou na fábrica que mantêm outras pessoas sob nossas ordens? Oprimimos nossos filhos ou cônjuge porque certas tarefas estão sob nosso comando?

Muitas vezes nossa opressão vem matizada com racismo e sexo. A cor da pele ainda afeta a posição de uma pessoa na empresa. O sexo de um candidato a emprego ainda afeta o salário. Possa Deus dar-nos profetas hoje que, à semelhança de John Woolman, nos chamem “do desejo de riqueza” de sorte que possamos “quebrar o jugo da opressão”.

evite qualquer coisa que o distraia de sua meta principal. George Fox advertiu:

“Mas há para vós o perigo e a tentação de atrair vossas mentes para o vosso negócio, e este criar- lhes empecilho; de sorte que mal podeis fazer qualquer coisa para o serviço de Deus, pois haverá o clamor, meu negócio, meu negócio; e vossas mentes entrarão nas coisas, em vez de discuti-las. … E então, se o Senhor Deus cruzar convosco, e vos detiver no mar e na terra, e tirar vossos bens e costumes, para que vossas mentes sobrecarregadas se afligirão, pois estão fora do poder de Deus.”

Que Deus nos dê sempre coragem, sabedoria e força para manter como prioridade, número um de nossas vidas o “buscar em primeiro lugar o seu reino e a as justiça”, entendendo tudo o que isso implica. Fazer isto é viver em simplicidade.

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