ACORDEI DE UM PESADELO | Por Giselle Prado


Acordei de um pesadelo para viver um sonho.

Quando eu menos esperei. Quando eu menos queria. Ele apareceu. Na verdade ele sempre esteve ali, mas meus olhos estavam fechados para ver o tesouro separado por Deus para mim.

Para que se entenda o fim, é necessário que seja contado do começo. Prossigamos…

Tudo começou em 2013. Ano de mudanças. Havia já terminado o colégio e pretendia começar a trabalhar com meus pais, na empresa da família. Iniciei. Nesse mesmo ano fazia um curso, o qual ainda faltava concluir. Firme na igreja, firme nos propósitos de Deus, algo começou a mudar dentro de mim. “O que está acontecendo comigo?” Desejos, sentimentos e curiosidades começaram a surgir dentro de mim. Era a vida sentimental despertando.

Em um certo dia, no local do curso, vi um rapaz. Meus olhos brilharam. Coração disparou. Respiração ofegante e a mesma pergunta “O que está acontecendo comigo?”. Passaram alguns dias. O rosto do rapaz não saia da minha cabeça. Passei a vê-lo todos os dias em que eu tinha o curso. Parecia que ele queria me dizer algo. Aparência bonita ele tinha. Agradavam meus olhos, mas algo estava errado. Não agradou meu coração. Por permanecer na curiosidade de saber quem era de fato o tal rapaz, Deus falou comigo “Feche os olhos do seu coração, pois não é ele!”. Começou então a luta. Sonhei! Sonhei que uma pessoa me falava o nome dele. Lembro-me de ter acordado ansiosa para chegar no curso para tentar descobrir o seu nome. Efetiva foi minha tentativa. De uma forma incrível, ao entrar na sala estava calor. Procurei o controle do ar condicionado para liga-lo. Ao pegar o controle, avistei uma lista colada na parede… Um nome então reluziu. Era o mesmo nome do sonho! “Meu Deus, e agora?” No mesmo instante coloquei o nome dele no Facebook e descobri que realmente era ele! E o mais ASSUSTADOR, ele era cristão. Tocava, cantava e ministrava. Perfeito! Perfeito? “O que está acontecendo comigo?”

 

Meu foco estava sendo mudado. Meu querer estava encobrindo o querer de Deus. Ele já havia falado comigo claramente. Por que não dei ouvidos? Curiosidade! Facebook, Instagram… “Ajudaram”. Curtidas nas fotos foi o ponta pé para tudo… Logo, ele me perguntou se eu era a tal menina do tal curso. Então a guerra foi travada! Telefones trocados. Passamos a conversar todos os dias por mensagem e nos víamos no curso. Durante 6 meses fugi, como o Diabo foge da cruz, mas após ele ir na minha antiga igreja, deixei rolar…  Sim, deixei… Minha comunhão com Deus começou a ser deixada de lado. O foco mudou. Já não buscava a Deus como antes. Comecei a andar segundo o meu coração. Segundo a minha vontade. Fiz meu próprio caminho. Nossa relação se intensificou. Vi que era paixão o que estava sentindo. Nunca havia sentido tal coisa por ninguém. Era intenso. Mas havia algo de errado. Além do que Deus já havia me falado, o garoto tinha determinados posicionamentos que me deixavam perturbada. Do nada ele sumia. Dava algumas indiretas de que parecia que queria algo comigo, mas ao mesmo tempo me esnobava. Construímos uma “amizade” nada sincera. Não havia transparência. Mas eu estava apaixonada. E ele? Ele estava brincando… Jogando? Ok, sem julgar! Passaram alguns meses. Eu mais chorava do que sorria. Até o dia em que eu fui na igreja dele, por convite dele e ele me deixou sozinha, quando foi embora sem ao menos falar comigo. Amigos? Acho que não… Talvez ele estivesse interessado em algo. Eu realmente não o entendia e tudo aquilo só ia trazendo tristeza e feridas para o meu coração. Madrugadas e mais madrugadas chorando, não entendia o por que de eu continuar gostando de uma pessoa que brincava com os meus sentimentos. Durou 1 ano e alguns meses até o dia em que ele completamente sumiu.

2014 então chegou, o ano da esperança de ser livre de um sentimento que eu mesma alimentava e me aprisonava. Meu coração foi tomado pela dor, frieza e tristeza. Perdi peso em 2 meses. Eu estava em depressão. Não queria sair de casa. Não queria mais ir a igreja. Mas eu havia ingressado na carreira de graduar Design. Eu precisava de um tempo novo. Eu precisava me libertar. Faculdade? Amigos? Festas? Fiz disso o meu refúgio. Que furada! Todos os dias eu voltava da faculdade chorando, esperando uma mensagem dele. Comecei a querer conhecer pessoas novas para tentar esquecê-lo. Bizarro! Nunca tivemos NADA! Mas na minha cabeça tínhamos tudo. Amor platônico. O famoso amor platônico…

Com o âmbito de querer conhecer pessoas novas, começaram a aparecer de tudo. Um dos meus melhores amigos, se declarou na mesma época dizendo gostar de mim e simplesmente sumiu depois de se declarar, como o outro. Maconheiro, parecendo um príncipe que só queria sexo, também apareceu. Disse estar apaixonado. Disse gostar de mim e do nada sumiu. O erro estava em mim!

Comunhão trocada, mas algo ainda ardia em mim. Havia uma saudade tão intensa dentro de mim do meu primeiro amor com Deus. Que saudade maravilhosa! Aqueles dias jamais se apagaram e se apagarão da minha memória. E toda vez que eu queria por curiosidade aceitar algum convite do mundo, a imagem nítida daqueles dias na presença do meu Senhor se colocava diante de mim e da situação. Eu não podia trocar o pão pela pedra. Eu havia encontrado a luz. Eu havia encontrado a maior preciosidade. Eu havia tido um encontro verdadeiro e intenso com Deus. E por mais que eu estivesse longe, por não estar constante na igreja, meu coração gritava por socorro. Que desespero! Eu queria ser feliz, mas do jeito que eu estava, era impossível aos meus olhos. Meu foco precisava ser mudado… Comecei então me rastejar para permanecer firme na casa de Deus. Meu coração estava cheio de mágoa. Não entendia o porquê de eu ter gostado de alguém que não gostava de mim e fez muitas coisas que me feriram. ESQUECER! Essa era a palavra que via em todos os lugares e que eu ouvia da boca das pessoas.

“Olá” … Começou assim. Depois de alguns meses, uma mensagem desperta algo em mim novamente. Era um rapaz cujo o sobrenome era o mesmo do meu. Cristão, tocava e cantava. De outra cidade. Nunca tinha o visto. Logo o respondi e então começou. De novo? Sim! Eu precisava quebrar a cara para aprender. Frágil e carente, dei total atenção a ele. Mas…. Sempre tem um “mas” quando não é de Deus! Ele tinha uma maneira de conversar um tanto estranho, por ser cristão. Eu via que não havia santidade integral. Assuntos obscenos. Demonstrou ser nervoso, possessivo, ciumento, egocêntrico e viciado em sexo. Encantada. Essa era a palavra que me definia. Voz maravilhosa. Durante alguns meses de conversas intensas e diárias ele havia me contado dos relacionamentos passados, de sua vida familiar, profissional e ministerial. Ele era ex líder. Já havia namorado diversas vezes e tirado a virgindade de todas as namoradas. Se desviou uma vez. Havia já batido na mãe dele. E trabalhava. Mas ele cantava e tocava. UAU! Tolinha… Mais ou menos 3 meses se passaram e decidimos nos encontrar em um lugar público para nos conhecermos melhor. Assim foi. Nos encontramos pela primeira vez. Parecíamos namorados, mas graças a Deus não passou de abraços e mãos dadas. Comecei a notar mais algumas coisas. Ele detestava gastar dinheiro. Eu pretendia almoçar, mas pra ele um pão de queijo era o suficiente. Quando eu estava comendo, ele comentou “Você é doida! E se eu fosse um maníaco?”. Arregalei os olhos e desviei o assunto… Ele logo riu e prosseguimos no encontro. O tempo foi passando. Descobri que o rapaz do curso estava namorando. Bateu uma sensação de traição quando ele sumiu, mas não me abati, pois eu estava “em outra”. Meus pais não sabiam de nada. Mas eu estava finalmente conseguindo esquecer o primeiro de todos, o amor platônico. Eu estava finalmente acreditando que era possível viver um amor. Ele me ajudava com versículos, mas ao mesmo tempo era grosso e intolerante. Minha opinião para ele se reduzia a um nada. Ele sabia de tudo sobre mim. TUDO! Eu estava carente e necessitava de atenção. Acabara de achar alguém para “preencher” esse vazio. Tudo estava mais ou menos bem… Até o dia em que meus pais descobriram sobre ele. No mesmo instante eles passaram a odiá-lo sem mesmo conhecê-lo. Que absurdo? Não! Era livramento de Deus! Deus confirma através dos pais se algo é de Deus ou não. Eles simplesmente queriam a morte ao ver eu casando com ele. E esse era o meu objetivo. Casar. Ser feliz. Amar. Mas eles tinham nojo dele e eu não entendia isso. Não queriam nem ao menos conhecê-lo. Minha casa virou um verdadeiro inferno. Meu coração clamava por socorro novamente, desesperado. Mais um castelo estava indo abaixo? Eu insisti! Fui contra meus pais. Ele dizia que meus pais estavam endemoniados dentre outras coisas assustadoras.

Muitas vezes me via morta, mas não entendia o porquê da tal “visão”. Determinado dia, assistindo o Datena vi uma notícia de assassinato. Nessa mesma notícia, vi meu nome na tela. Sem exageros ou sensacionalismo. Aquilo tudo estava começando a me assustar. Comecei também a perceber algumas mudanças repentinas dele. Me tratando como se tivesse controle da minha pessoa. Não gostava do meu batom. Criticava meu estilo. Dizia sobre minhas unhas. Queria me mudar. Vi algumas mensagens de meninas em algumas fotos dele, um tanto estranhas. O medo voltou. A dor voltou. A tristeza estava ali. Passados exatos 6 meses, em uma segunda-feira, dei um basta. Eu não estava mais suportando o tratamento dele e nem dos meus pais. Eu precisava novamente de um socorro. Pedi a ele para ir falar com meus pais, porém ele me respondeu dizendo que se eu não tinha moral com meus pais eu teria com ele? Foi o fim… Alguém estava colocando as asinhas para fora. Corri ao encontro da minha pastora na época. Mulher de Deus. Instrumento poderoso nas mãos do nosso Senhor. Ela orou. Deus revelou. Ela pediu urgente para que eu fosse até a igreja e eu fui. Chegando lá, sentamos para conversar e ela disse que o relacionamento não era da vontade de Deus. Pedi a ela para me contar a razão de não ser, então depois de muita insistência ela começou a me contar tudo explicitamente e detalhadamente do que Deus havia falado. Deus havia revelado o oculto e escondido. Ela, sem conhecer o rapaz disse como ele era em questão de personalidade, sem errar um ponto. Disse sobre o temperamento (sanguíneo), além de dizer que esse relacionamento era um livramento de Deus para minha vida, pois ela me via morta após um tempo de casamento, do tanto que ele bateria em mim. De fato que eu iria conhecer o que era realmente viver uma vida completamente destruída. O plano de satanás já estava certo. Eu estava nas garras de satanás. Ela me via como se eu fosse um boneco marionete nas mãos dele e ele me manipulando. Via também ele me traindo com várias outras garotas e mostrando minhas fotos para amigos com deboche. Viu essas situações mencionadas e outras mais… A medida em que ela me falava tais coisas, eu estava sentada, anestesiada completamente. Não havia reação em mim. Parecia um filme de terror, que eu estava vivendo e fazendo o papel principal. Jesus, quanto amor! Que misericórdia é essa? O que fiz para merecer tamanho livramento? Eu simplesmente, mas verdadeiramente havia entregue a minha vida, ao Autor dela. Logo findei o relacionamento com ele, dizendo que Deus havia revelado que não era da vontade dEle. Foi um momento difícil, mais um, mas eu me sentia estranhamente forte e madura ao mesmo tempo. Eu não me reconhecia. Era de Deus! Demorou um tempo para ficarmos de vez sem nos falar. Ele insistiu em continuar uma amizade. Foi até mesmo na época em que estava passando o seriado na Globo com o Bruno Gagliasso, Dupla Identidade. O rapaz com que eu estava me relacionando, era um maníaco, viciado em sexo, que tinha muitas vezes o mesmo olhar e mesmas atitudes que passava no tal seriado.

 

O tempo passou… Tempo é precioso. Viva eu estava e com a certeza do grande amor que Deus tinha pela minha vida. Eu decidi então voltar as mesmas práticas do meu primeiro amor com Deus. Meu foco mudou… Eu de fato precisava organizar as coisas dentro do meu coração. Desordem. Tudo estava em completa desordem… Eu precisava preparar o lugar para o escolhido de Deus. Eu precisava restaura o meu altar com Deus, coração. Assim fiz. Cheguei a passar com uma psicóloga cristã nesse período conturbado que me ajudou muito e dou glórias a Deus por essa mulher também. Houveram dias em que eu temi homens. Pavor mesmo. Chorei muitas vezes dentro do metrô e ônibus. Mas meu coração estava sendo curado…

Em meio a tempestade e um céu nublado, creio na esperança do amanhã. Um socorro bem presente. Um socorro vindo dos céus. Um socorro no tempo certo. Há um sol por de trás das nuvens e assim foi…

“Você é a mulher da minha vida!”

Ouvi do meu melhor amigo da faculdade, com quem eu estudava Design iria fazer 1 ano. Logo rebati dizendo “O que? Mas eu não sinto nada por você”. Expliquei a ele tudo o que eu havia vivido e ele compreendeu. Disse que estava disposto a esperar por mim o tempo que fosse preciso. Então o sonho começou! Um sonho real. Vivido e que vivo ainda. Nos conhecemos na faculdade. Ele mora em uma cidade e eu em outra. Mas estreitamos nossa relação de amizade devido a uma dificuldade minha na matéria de geometria. Ele era meu professor particular. Sem cobranças. Coração excelente o dele. Simpático. Sempre alegre. Engraçado. Alto. Moreno. Sincero. Leal. E cuidava de mim, como um príncipe cuida de uma princesa. Sem termos algo. Pertence a ele. Eu sentia um carinho muito grande por ele, tanto é que o chamava de irmão. Porém todas as vezes que eu o chamava assim ele fechava a cara. Percebia também quando eu falava das minhas situações amorosas, a feição que ele fazia era de extremo ciúmes. Sim… Ele gostava de mim desde o início do ano. E eu não sabia… Por muito tempo não sabia nem o nome dele, o chamava de menino. Ele não era cristão. Impossível rolar algo conosco. Antes dele dizer que eu era a mulher da vida dele, ele se converteu uma célula do condomínio dele e permaneceu firme até os dias de hoje. Disse então a ele que eu iria orar. Eu já havia me machucado demais devido a todas situações que eu mesma me coloquei. Eu havia aprendido. Orei. Durante 3 meses rebati dizendo que eu não sentia nada e não haveria possibilidade de construirmos uma relação, mas disse que se fosse de Deus, o sentimento brotaria em mim. Entramos de férias e ficamos sem nos ver por 2 meses… Quando voltaram as aulas e eu o vi nesse ano de 2015, tudo havia mudado! Eu não parecia a mesma e nem ele o mesmo. Parecia que uma venda dos meus olhos havia caído. Então depois de algumas semanas, conversamos e decidimos entrar em um relacionamento sério. Mas eu ainda estava e estou sendo curada. Havia muito medo no meu coração até mesmo dos meus pais… Eu tinha medo deles terem a mesma reação que tiveram com o outro rapaz. Orei. Pedi direção de Deus. Não queria me enganar. Primeiro contei para minha mãe e depois para o meu pai. Medo superado. Glórias! Minha mãe de uma forma incrível disse que sentia paz nele, que ela não compreendia, mas que gostava muito. Ela já o conhecia, afinal ele era meu melhor amigo. E quando eu contei para o meu pai, ele simplesmente chorou com o sentimento de “meu bebê cresceu”. Concordaram com o nosso relacionamento. Passaram alguns dias, ele foi falar com meus pais das reais intenções dele comigo. Permanecemos orando e já fazem quase 11 meses juntos.

Nos completamos. Nos amamos por completo. Até mesmo os defeitos. Não há mentiras. Não há jogo. Há cumplicidade. Uma amizade que foi tão bem cuidada que virou amor. Um amor que tem me trazido cura de muitos males emocionais. Inseguranças e desconfianças. Um amor que você não encontra em qualquer esquina. Sinto que é diferente. A maneira como ele me trata… Ah, como eu queria que todos os rapazes fossem como ele, meu grande amor. De fato ele é um príncipe. O admiro tanto, que me apaixono todos os dias cada vez mais. O tesouro estava ao meu lado e graças a Deus eu acordei, abri meus olhos e vi!

É um amor que não traz desconfianças. Incrível como Deus faz. Um amor que traz paz para ambos. Tentamos entender um ao outro. Se um cair, o outro levanta. Há diferenças e sabemos respeitar. Incrível como Deus se manifesta. E Ele se manifesta nos mínimos detalhes do dia a dia. Ele vai confirmando e nos trazendo a certeza de que provém dEle. Mesmos objetivos na vida e no Reino de Deus. Ministérios que se unem. Um relacionamento baseado na palavra de Deus que traz satisfação emocional, sentimental e espiritual. Somos felizes. Sentimos saudades um do outro, sempre e embora as vezes longe devido a distância sentimos bem perto um ao outro.

Ele se converteu. Recebeu salvação. E eu a cura. Um amor … Grande e eterno amor.

Acordei de um pesadelo para viver um sonho…

Deus não une pessoas. Deus une propósitos.

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