EU QUERO SER MAR | Por Giselle Prado


Rasos. Sem profundidade alguma. Seres ocos. Apenas cascas. Onde está o conteúdo?

Quarta-feira, dia de sol, primeira semana do ano e a indignação bate à porta. Indignação com a escassez de pessoas que realmente se importam umas com as outras. Se importar com outras pessoas? Sim! Tarefa essa que não deveria ser tomada como obrigação para os cristãos, mas deveria fazer parte de nós o ato de cuidar, de se importar no sentido mais puro e intenso dessas palavras. Alguém que queira ser braços estendidos para aconchegar aquele que está precisando de carinho. Alguém que queira ser pernas para caminhar lado a lado junto aquele que está sem forças de continuar. Alguém que se importe. Onde está?

Dizer que nos importamos ou que iremos orar pelos outros, já não basta mais quando de fato nem sentimos a dor do outro. Não choramos com os que choram. Onde está os corações ardentes de amor? Seres superficiais! Dizem, dizem e dizem, mas não vivem o que dizem…

É preciso viver indignado! Digo no sentido de inconformado com nós mesmos para que haja mudança nesse ano, no mundo, na vida e principalmente no meio cristão! Chega de superficialidade!

Profundidade! Meu ser clama por profundidade! Realmente sentir, amar, viver e ver! Seres que não sejam ocos, mas que realmente tenham conteúdo não para satisfazerem a si próprio, mas há uma multidão lá fora que grita por socorro e o que temos feito? Superficialidade! Onde está a comunhão? Onde está o amor?

É como rio que seca em meio ao deserto a cada instante que dizemos: ok, eu vou orar e não oramos. A cada instante que dizemos que queremos ajudar, mas se quer temos tempo para ouvir um pedido de ajuda. A cada instante que dizemos que somos amigos, mas nos importamos mais com o nosso bem estar do que com o do outro.

O rio está secando… Não é mar. É tempo de seca permanente que só tende a se esfriar? Depende de mim. Depende de você. Rio ou mar? Eu quero ser mar! Onde a nascente não seca. Onde há imensidão e profundidade. Profundidade no amor, no amar. Profundidade no sentir, ver e enxergar. Mistérios a serem desvendados. Novas experiências. O servir e o cuidar não como tarefas, mas como ações que fazem parte do meu viver, do meu caminhar…

Mais e mais, até transbordar. Ir além do que o mundo estabelece, do que eu estabeleço. Níveis mais profundos com Deus e em Deus, no mar de Deus.

 

 

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