EU VENCI O SUICÍDIO, VOCÊ TAMBÉM PODE VENCER | Testemunho por Andrelúcia da Silva

Após ler um texto sobre depressão, sabendo mais sobre a série que fala sobre o suicídio e o Aba abrir meus olhos sobre pessoas que estão cada vez mais perto do fim (e perto de mim), meu coração queimou por contar essa história. Sim, ela é longa, mas tem a mão Dele em tudo.

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Desde que eu nasci o contexto é complicado. Meu pai, cristão desde a infância, passou por uma crise no casamento e, dessa crise, eu vim ao mundo. Entre a gravidez e meu nascimento, meu pai voltou com a esposa dele, o que virou um caso público de adultério. A esposa dele, estava grávida quando descobriu, quase perdeu o filho e quase saiu de casa. Uma criança totalmente indesejada, não planejada por ninguém e que sofreu rejeição de onde menos se esperava. 
Assim eu vim ao mundo. Com uma mãe solteira e um pai ausente. As minhas poucas lembranças do início da minha infância envolvem abuso e bullying. Esse fardo eu carreguei muito tempo, pois sempre foi constante. Por várias fases da minha vida eu vivia atordoada e a medida que eu crescia eu percebia que eu não tinha amigos, nem na vizinhança da minha casa, nem na igreja e nem na escola.

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A pessoa que eu mais gostava era minha mãe e estar com ela me fazia me sentir​ melhor, mas nem sempre estávamos juntas já que ela tinha que trabalhar para me sustentar.

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Na escola eu vi que eu não era amada e querida por ninguém. Meu cabelo cacheado era criticado pelas pessoas. O ser prematura era acusada como algo inadequado. Minhas roupas e meu jeito de vestir eram impróprios. Eu não tinha amigos. Sempre via os olhares de críticas e as risadas de zombaria se davam com a minha presença. A igreja, que era parte do meu refúgio, se tornou um pesadelo cada vez maior quando as crianças da minha idade passaram a me rejeitar e as tentativas em me enturmar a força com elas foi se mostrando cada vez mais infrutíferas.
Eu me via sozinha o tempo todo, então cogitei o que me era mais lógico: não ser mais um peso para as pessoas.
 
Desde essa época, já com uns 7 anos, mais ou menos, pensamentos de que eu era um fardo indesejado para as pessoas, começaram a rondar minha mente. A falta de amigos só confirmava isso e então eu comecei a pensar em formas de acabar com a minha vida para que as outras pessoas não se incomodassem mais com a minha presença.

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Três tentativas, todas inválidas. A primeira tentando me jogar na frente de um caminhão na BR, mas a pista ficou deserta por mais de 10 minutos (até me socorrerem); a segunda tentando me cortar com uma faca, mas com medo demais de ser pega por alguém antes disso e desistindo (por estar na cozinha da igreja escondida); a terceira tentando me enforcar, mas com um pano que não apertava meu pescoço​ o suficiente. Além dessas tentativas, vários outros pensamentos…

 
Eu sei o que é não se sentir querida, mas eu sei hoje que isso tem solução e é sobre isso que eu quero contar.
 
Ao ver que tirar a vida não funcionava, eu passei a procurar o Amor. Tentei me jogando nos braços de vários homens, procurando alguém que pudesse dizer a mim que eu era querida e que não precisava acabar com a minha vida. Foram anos de busca, até que Ele me encontrou.
 
Um dia, eu vi um filme onde o pai era tão carinhoso com a filha (e esse nem era o tema central do filme) e eu fiquei tão triste por não ter tido um pai carinhoso comigo como aquele. Eu entrei no meu quarto, fechei a porta e culpei a Deus por tudo que já tinha me ocorrido: toda a dor, todos os abusos, psicológicos, físicos, sexuais e verbais, todos os traumas e tudo que já havia me acontecido. Ele não me disse nada aquele dia, mas eu senti um ódio tremendo Dele. Eu queria morrer como nunca havia desejado antes. Mas daquele dia em diante a minha vida mudou.
 
Minha mãe, se casou anos depois, e juntamente com seu marido, passaram a demonstrar carinho e cuidado de um jeito tão singular comigo… Daquele dia em diante eu passei a me sentir tão amada que eu fui pedir desculpas à Deus pela minha ingratidão e ódio. Depois disso eu vi mais e mais ocasiões Dele demonstrando o amor e o cuidado Dele comigo, até que um dia eu ouvi uma pregação falando sobre oração. Nesse dia eu ouvi que Deus jamais deixava e deixa de ouvir uma oração, por mais que Ele não dê a resposta que a gente espera ouvir ou no momento que queremos. Desse dia em diante passei a falar sempre com Ele sobre como eu me sentia em relação ao mundo a minha volta e wow como as coisas mudaram…
Ele me resgatou quando eu passei a me relacionar com Ele e como eu tenho aprendido a depender mais desse Amor.​
 
Eu quero  ​poder ​desafiar o mundo a fazer o mesmo: ​falar​ com Ele que sempre ouve nos ouve, mesmo quando Ele não ​nos responde do jeito que queremos​. Vale muito a pena, pois o relacionamento entre nós cresce de tal forma, que você se vê envolto nos braços de amor dEle. Eu me vi assim e decidi nunca mais sair.
 
Ele aos poucos foi me curando, mostrando tantos livramentos que Ele havia proporcionado a mim e como Ele me ama. Jesus é o único que pode curar as feridas que o mundo causa e o único que pode nos​ dar um sentido de viver.
 
​Hoje eu vejo pessoas e mais pessoas sofrendo do mesmo mal que eu sofri e tudo que eu quero gritar a elas é
não desista, fale com Ele dizendo o que sente e sobre como está triste, Ele está te ouvindo o tempo todo e quer tirar toda a sua dor. Ele te ama e quer te restaurar!”​
Jesus é a própria vida eterna e quer ajudar nossos corações cansados e quebrados​​cabe a nós deixar
que Ele possa nos tirar desse lugar escuro.
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Testemunho enviado por A​ndrelúcia da Silva​
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