IDENTIDADE DE FILHO | Por Lara Dias

 

Você já se pegou preso a tal indagação: ser filho e ser servo?

Buscamos mais servir, se destacar, ganhar reconhecimento dos homens, do que simplesmente sermos filhos de Deus, que mantém um relacionamento com o Pai.

Correr atrás do que não é eterno tem se tornado tão comum no meio cristão nos dias de hoje , na minha geração.

Há uma busca incessante em achar “seu espaço” no corpo, destacar-se na igreja como peça fundamental para continuidade do ministério, e, realmente somos importantes, especiais, pois somos escolhidos por Deus, somos gerados para viver esse amor e gerar frutos através dele, porém, muitos de nós estão se perdendo no meio desse caminho, estamos perdendo nossa identidade em Cristo, de filhos de Deus, herdeiros da salvação, estamos nos limitando a apenar sermos servos que vez ou outra tem um contato maior com o Rei, de forma que nossa aproximação com ele chegue a tal ponto de estar controlada numa caixa de protocolos, como se o nosso Pai fosse alguém inacessível que precisa de uma secretária para agendar um horário para estarmos com Ele.

Servir é essencial, a obra precisa de bons servos, mas quando mascaramos nosso identidade de filhos com o “serviço” algo está errado!

Acredito que Deus não entregou seu único Filho para ter ótimos serviçais! Chega a ser medíocre de nossa parte acreditar que Deus entregaria tal sacrifício para que fossemos apenas bons obreiros da igreja. NÃO! É errado demais limitar Jesus a isso! 

Mas muita calma nessa hora, não estou dizendo que não devemos estar dispostos a servir a Jesus, a cuidar da sua igreja, a sermos obreiros aprovados como o próprio apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo, devemos mesmo ser, mas o que me chama atenção no ministério de Paulo, que foi um legado para Timóteo é ser dependente da graça de Deus, ou seja  favor imerecido de Dele à nós.

Talvez você que leia esse texto pode até ser pai ou mãe, ou se ainda não, sabe quantas vezes já falhou com seus pais, e mesmo assim nunca deixou de receber amor deles, compreensão e cuidado, a graça de Deus é a mesma coisa por nós, mesmo quando não merecemos ela está ali, presente para nos salvar e nos constranger nesse amor.

Você provavelmente já ouviu nem que seja uma vez a parábola do filho pródigo, é uma história que Jesus conta que é a representação clara da graça e amor Dele como Pai e remidor de nossos erros, nossas decisões mal pensadas. Se você ainda não conhece atente-se ao que diz essa palavra:

E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.
E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar. – Lucas 15:11-28

Nesta passagem vemos um caso bem comum até mesmo nos dia de hoje, um filho que quer viver suas próprias experiências sem a presença de seu pai, sem talvez o peso das cobranças de sua família, mas acaba pagando o preço por suas escolhas precipitadas. Entretanto o que me chama atenção neste texto é a postura de seu irmão que permaneceu em casa servindo a seu pai, ele indignou-se com a forma como o pai recebera de volta o filho que havia se perdido:

E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se. – Lucas 15:29-32 

Podemos ver a “revolta” desse filho ao ver seu irmão sendo tratado como “filho” , e vejo o quanto as vezes nos limitamos a fechar nossa visão para o serviço e o reconhecimento que isso pode nos acarretar, quando Jesus quer apenas nos ter como filhos que agradam seu coração.

Nos empenhamos tanto em sermos bons servos que esquecemos do principal: sermos filhos! Servir ao pai com prazer, mas acima de tudo ser amado por Ele, entender esse amor que não merecemos mas está sempre disposto a perdoar eu, meu irmão, todo aquele que escorrega, Ele sempre estará disponível para estender a mão e levantá-lo do chão. 

Esse filho preocupou-se tanto em ser um bom servo de seu pai, que não compreendeu quando seu pai cuidou de seu irmão, como se tivesse apagado de sua memória a relação pai e filho, não porque seu pai fosse um mal pai, mas por se manter cego em querer agradar seu pai servindo com grande competência, o afeto, intimidade e relacionamento foram ficando de lado. Seremos bons servos e bons discípulos a partir do momento que nos relacionarmos com Deus como Pai, quando entendermos que como bons filhos temos que cuidar daquilo que pertence a Ele mas por hora, até que Ele volte, está confiado a nós. 

Jesus em toda circunstância sempre será nosso melhor e maior bom exemplo, ele cuidou das coisas de Deus aqui na terra como bom servo, mas nunca perdeu sua intimidade de filho de Deus, concluiu seu propósito até o dia de sua crucificação, mas nunca deixou que se perca sua identidade de filho. Não apenas pela TRINDADE, mas como homem tamanha era intimidade e relacionamento com o Pai que ele diz no evangelho de João:

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. – João 17:21

Que possamos buscar, correr e lutar por tamanha intimidade com Deus, que venhamos ser um Nele como Ele e Jesus assim o foram.