MOLDA-ME! | Por Lara Dias

Quem nunca ouviu ou mesmo disse a frase: “estou em processo, estou passando pelo vale, estou sendo amassado como barro” e por aí vai…

Em toda minha caminhada com Jesus criei o hábito de ouvir isso das pessoas como murmuração ou até mesmo como tema de ministrações da palavra de Deus.

É difícil passar por esses processos, mas também é necessário para que venhamos ser forjados pelo caráter de Cristo, como se fossemos vasos de barro que no ápice de sua criação, são lançados ao fogo para que toda impureza, todo lixo que contem no barro seja removido, criando assim um novo instrumento através dessa matéria prima.

E assim como diz na canção Pulsante da banda Palankin que apesar de referir-se ao vaso de alabastro, encaixa-se perfeito para o que desejo dizer: Toca-me com brasas do altar, consuma-me. Como um incenso, libere o seu fogo e vou queimar sem fim.”

No livro de Jeremias, capítulo 18 diz:

“A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.
E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor.  
Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:1-6

Deus ordenou o profeta Jeremias tais palavras por causa da iniquidade do povo de Israel naquele tempo. Jeremias profetizou numa etapa conturbada da história de Israel. Um tempo em que o povo estava desviado do Senhor, indo atrás de deuses falsos. A idolatria sempre anda acompanhada de corrupção moral, distorção doutrinária, indiferença religiosa, prostituição e toda a sorte de pecados que afastam o homem de Deus. Não devemos pensar que em nossos dias isso ainda é diferente, mas ainda há planos de Deus para a restauração de nossas iniquidades.

O chamado de Deus ao profeta para que descesse à casa do oleiro, tinha o propósito de mostrar como o Senhor restaura o povo desviado. O único requisito é se o vaso está ao alcance do oleiro (Jeremias 18:4).

Assim como o oleiro faz com o vaso (se necessário refazer tudo novo de novo), assim Jesus é sobre nossas vidas, somos sujeitos às falhas, ao pecado, mas Jesus está à postos para nos restaurar, nos fazer limpos, para que sejamos unificados junto ao corpo.

Quando Jesus se revelou a mim e revelou o seu ministério sobre minha vida eu vivi um grande confronto sobre quem eu era, quem eu queria ser e principalmente quem eu deveria me tornar. O que verdadeiramente estava vivendo para que o reino fosse propagado com relevância nesta terra? Na verdade, quem estava mais conhecido neste ministério, meu nome ou o de Jesus?

Já estou cuidando há dois anos de um ministério de evangelismo, e nesses dois anos o mais difícil de se vencer é o nosso ego, os elogios são bons para a carne, para nossa satisfação, e corremos o sério risco de esquecermos do principal nome a ser lembrado: JESUS! No começo de tudo os elogios vêm maquiar o que verdadeiramente tem que ser revelado, a graça, amor, salvação que vem DELE. Estar no campo expandiu minha visão para a vontade de Deus sobre este ministério, na verdade Ele se revelou a mim mais uma vez, dessa vez não tratando com alguém inocente, mas com alguém que precisa ter os olhos abertos para não estar em desacordo com a vontade do PAI. Quando estamos literalmente “fora do nosso aquário” percebemos quem de fato somos e principalmente quem precisamos nos tornar, logicamente como assegura a palavra de Deus, quando o aceitamos, é instantâneo o processo de molde afinal estamos dando a Ele o livre acesso para administrar nossas vidas, mas mesmo reconhecendo esse poder, no momento em que nós nos entregamos a Ele, o processo de ser moldado ou refeito torna-se mais intenso, pois quanto mais caminhamos com Ele, mais sedentos e esfomeados somos para nos tornar como Ele, e como um vaso de barro, precisamos passar pela olaria.

Um estudo interessante que fiz tanto na ciência humana quanto na palavra de Deus (Jeremias 18: 1-6) é que o oleiro que produz vasos de barro ele é alguém insistente, ou seja, ele prepara o barro, amassa, molda e lança ao fogo para que o vaso fosse feito, se ao término desse processo o vaso tem alguma imperfeição, ou simplesmente se quebra todo o procedimento é refeito até que o vaso esteja em condições de ser usado. O oleiro não desiste da obra dele, e assim é Deus sobre nossas vidas, se necessário passaremos por etapas, processos de modificação e aperfeiçoamento para sermos vasos prontos a servir.

O que me fascina na palavra de Deus, é que mesmo sendo escrita em diferentes tempos, dividida entre novo e velho testamento ela se completa, Deus é perfeito em tudo o que faz.

Ainda falando sobre restauração/transformação:

“Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.” Marcos 2:21-22

O significado literal dessas figuras de Jesus é facilmente compreensível. Remendar calça velha com remendo novo faz com que o novo remendo, encolhendo mais do que a calça velha, cause um rasgo maior. Colocar suco de uva fresco em odres velhos (que já foram esticados ao máximo) fará com que o couro se rompa quando o suco se expandir durante o processo de fermentação. Mas Jesus estava dando muito mais do que lições de costura ou processos de preparação de vinho.

O significado espiritual das figuras de Jesus se relaciona com o evangelho que Ele ensinava. Ele não poderia ser contido dentro de velhas fórmulas e rituais. Ele romperia o molde. A nova mensagem que Ele ensinava teria que ser acompanhada por novos métodos de adoração. Isto se ajusta com a exigência de Jesus de que venhamos a nascer de novo (João 3:1-7).

Ele veio para nos refazer dos pés à cabeça. Sempre que tentarmos remendar nosso velho ser com um pouquinho de ensinamento do evangelho ou sempre que tentarmos simplesmente derramar alguma espiritualidade do Novo Testamento dentro de nossas velhas vidas, o resultado será um desastre. Somente um conserto completo servirá para que tenhamos em nós a assinatura do Oleiro.

“…e no final eu estarei prostado aos Teus pés,
lavando Teus pés, beijando Teus pés.” ♫

Assista abaixo o vídeo – Clipe Pulsante – Banda Palankin

One Reply to “MOLDA-ME! | Por Lara Dias”

  1. Excelente texto, maravilho depoimento, parabéns Lara Dias, show de bola…, continue assim, gosto muito dos seus textos.

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