MUITO MAIS QUE ESTÉTICA E BELEZA, EU ME ACEITEI | Transição capilar por Joice Silva

Irei contar aqui a história do meu cabelo que vai muito além de estética/beleza, e sim auto aceitação pela minha identidade natural.

Antes de tudo, quero ressaltar que isso é uma questão muito pessoal de cada um, mas eu decidi colocar um ponto final em tudo o que fazia eu me anular como pessoa.

Vou contar à vocês a trajetória de toda a minha mudança física que acabou acarretando em como eu sou hoje!

Meu nome é Joice, tenho 21 anos, sou baiana mas atualmente estou residindo em São Paulo. Meu primeiro contato com a química foi em 2010 quando eu vim para São Paulo visitar minha irmã mais velha, e ela me sugeriu fazer uma escova progressiva pois domaria  meu cabelo que era crespo e volumoso demais.

A princípio eu queria algum método que o deixasse cacheado pois eu sempre amei cachos, mas pela falta de informação sobre como cuidar de cabelo afro, me rendi à escova progressiva. Não estava contente com o resultado dos inúmeros procedimentos que tive que fazer para abaixar a raiz quando ela começava a crescer, o resultado era sempre cabelo quebrado, pontas duplas, corte químico então era frequente, sem contar os horrores em gastos com procedimentos para restaurar o cabelo , só tive dor de cabeça, satisfação zero. O meu cabelo dos sonhos eu ainda não tinha, eu persistia em um padrão que não me encaixava, me sentia estranha com algo que não era meu. Embora fosse vaidosa, eu ainda me incomodava.

Em 2012 me mudei para São Paulo, tentei deixar meu cabelo crescer naturalmente, cresceu bastante, mas não obtive sucesso na minha meta, mais uma vez pela falta de informação e complexos com minha aparência, quando achava que ia me libertar, o complexo por achar meu rosto redondo demais, a cabeça redonda demais, contribuíram para eu não seguir em frente naquela época. Sempre que cogitava deixar meu cabelo natural, cortar ele curto para nascer saudável, me vinha na cabeça: “ eu com essa cabeça de nós todos? Vou parecer um microfone ambulante!”

Sempre havia um defeito, um empecilho, até que em 2014/2015 com incentivo dos meus amigos essa ideia voltou, mesmo com complexos eu passei por cima e logo já não enxergava mais defeitos. Tomei a decisão em setembro de 2014, decidi parar de passar qualquer química no meu cabelo, pedi ajuda do meu cabeleireiro na época, o mesmo me disse: “Joice acho que não é uma boa ideia, seu cabelo vai nascer muito crespo, e quando estiver com 1 dedo de raiz você vai  correr para passar a progressiva! O que ele não sabia é que eu já estava decidida.

Durante 10 meses eu passei apenas secando o cabelo com secador, fazia um coque e colocava uma faixa para esconder a parte quebrada da frente, e ia trabalhar, capinha somente no final de semana para ir à igreja. Tinha dias que eu queria chorar, pois não aguentava mais a combinação coque e faixa!

Numa segunda-feira, me deu a louca, sai com minha irmã para ir ao shopping e lá eu decidi ir a um salão cortar meu cabelo, nem cheguei a agendar, fui com a cara e a coragem cortar, é um salão especializado em cabelo afro e até bem conhecido no mercado, era meu momento de LIBERTAÇÃO, não era apenas uma transição capilar, algo a mais mudava dentro de mim, CORTEI! Deu errado, meu cabelo ficou torto, ok, é só um cabelo, vai crescer, vou conseguir arrumar. Não deixei aquilo me abater, 5 meses depois fui em outro salão especializado, onde finalmente meu cabelo alavancou, cresceu mais rápido, tomou forma, eu finalmente conheci a verdadeira forma do meu cabelo, o que era muito novo pois, antes da progressiva ele não era como é hoje.

Mudar de cidade me fez muito bem, eu mudei muito, muito mesmo! Quando eu cheguei em São Paulo, eu não fazia o perfil menininha vaidosa, eu era a louca do pega a primeira roupa e veste, mas com o passar do tempo fui mudando de estilo e personalidade, mas minha maior mudança veio depois do corte, me encontrei, eu tive o privilégio de ser eu. Na verdade os sentimentos que crescem dentro de nós são frutos muitas vezes de palavras e ações alheias, as vezes o confronto de alguém nos dizer que não conseguiremos nos torna covardes, se nos sentimos feios é porque em algum dia alguém nos ofendeu com essa palavra, se não gostamos dos nossos cabelos, corpo, tom da pele é porque de alguma forma algo que já nos disseram, conseguiu nos atingir. Cabe somente a nós, se essas negativas crescerão em cada uma de nós nos impedindo de nos aceitar e nos amar.

Somos templos do Espírito Santo, seja negra, branca, magra ou não, do cabelo liso, crespo, alta ou baixa. Jesus quer apenas nossos corações, independente de nosso estereótipo, no decorrer da vida vamos tentar absorver só o que é bom, para que possamos também semear apenas boas sementes!

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