MULHERES QUE ME INSPIRAM | Por Giselle Prado

Desde quando me converti, aos 14 anos, sempre fui fascinada por ler histórias de avivalistas. No entanto, todas as histórias que lia, eram a respeitos de HOMENS que revolucionaram nações.

Homens, rapazes… E cadê a mulherada? Essa pergunta começou a saltar no meu coração desde o início desse ano. Como sabem, estamos vivendo uma época do empoderamento feminino, movimentos feministas, mulheres se levantando e lutando por seus direitos e afins… Não sou feminista, e muito menos apoio ou me agrada a ideologia feminista, mas é um momento oportuno para as mulheres de Deus se levantarem também com os direitos e cultura do Reino de Deus.

Jesus, tem falado intensamente ao meu coração, que o tempo de ficar sentada ou na resguarda, passou. E digo isso especificamente à nós mulheres. Creio que chegou o tempo, que Deus irá começar a levantar mulheres inspiradas e movidas totalmente pelo Espírito Santo.

Bem, com essa sede por encontrar mulheres que refletissem a glória Dele, comecei a procurar história de avivalistas MULHERES e não é que achei? Meu Deus, eu fiquei tão feliz!

Tesouros como esses a gente não deve esconder. Por isso trouxe aqui para compartilhar com vocês, 10 mulheres que conheci e que se tornaram verdadeiras inspirações para minha caminhada.

Vamos lá?

Khatarina Lutero (1499 – 1552)

Nascida em 1499, Katharina perdeu a mãe e teve que estudar num convento, onde permaneceu até 1523. Lá, ela aprendeu a ler e escrever, algo raro na época, e teve acesso aos escritos de Martinho Lutero. Seus princípios tocaram seu coração e ela fugiu do convento. Casou-se com Lutero dois anos depois, tiveram seis filhos e adotaram outros quatro.

Khatarina abriu as portas da sua casa para monges, freiras, padres que se tornavam adeptos da Reforma e precisavam se refugiar, mesmo sabendo da possibilidade de sofrer perseguição e uma invasão ao seu lar. Em alguns momentos a casa chegou a ser habitada por 25 pessoas, sem contar ela, Lutero, as crianças e os 11 órfãos de quem cuidavam. Eles não se negavam a ajudar um necessitado e ofereciam dinheiro a quem precisava. Até as porcelanas que Khatarina ganhou de presente de casamento foram vendidas para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela mesma causa.
Khatarina ainda esteve ao lado de Lutero em um dos momentos mais difíceis de sua vida: a morte de uma de suas filhas, fato que colocou o marido em depressão. Não escreveu nenhum livro, nem fez pregações, mas apoiou o marido e o encorajou em todo tempo.

Susannah Wesley (1669- 1742)

Dizem que, se John Wesley foi o pai do Metodismo, Susana foi a mãe. Ela é apontada como a maior influência religiosa do filho, condutor de uma grande obra de avivamento na Inglaterra do século 18. Filha de uma família de puritanos ingleses, ela aceitou ir para a Igreja Anglicana, onde seu marido Samuel Wesley exercia o ministério de pastor, na pequena paróquia de Epworth, na Inglaterra. Para Susannah, a maternidade incluía a responsabilidade de educar e formar homens e mulheres de Deus. Ela foi responsável pela alfabetização e evangelização dos 19 filhos.

Conta o escritor Mateo Lelièvre, autor da biografia John Wesley – sua vida e obra (Editora Vida), que, certa vez, seu marido disse-lhe:

Acho admirável sua paciência, porque você repetiu a mesma coisa nos ouvidos dessa criança nada menos do que vinte vezes.

Ela respondeu:

Teria perdido o meu tempo, se a tivesse repetido somente dezenove, pois foi só na vigésima vez que cumpri o meu objetivo.

Essa criança era John Wesley, que algum tempo mais tarde sobreviveu a um incêndio criminoso na casa da família e passou a ser visto pela mãe como alguém com uma missão especial. Susana passou por privações físicas e materiais e somente nove dos 19 filhos chegaram a idade adulta. Mas ela cumpriu de forma diligente sua missão e foi citada por Wesley em diversas cartas e livros.

Sarah Poulton Kalley (1825 – 1907)

Sarah Poulton Wilson nasceu em Nottingham e casou- se com Robert Reid Kalley, um médico que tratou seu irmão da tuberculose. Juntos estiveram nos Estados Unidos, em 1853, em visita aos crentes portugueses refugiados em Lacksonville e Springfield por conta da perseguição religiosa sofrida na Ilha de Madeira.

Em 1855, Sarah acompanhou o marido ao Brasil, onde os dois se dedicaram a atividades missionárias e inauguraram em 1858 no Rio de Janeiro a Igreja Evangélica Fluminense, primeira igreja evangélica do Brasil, da qual se originaram outras, que mais tarde constituíram a denominação Congregacional. Sarah fundou, ainda, a primeira Sociedade de Senhoras e foi autora de hinos cantados em igrejas evangélicas até o século XX. Como o casal não teve filhos, adotou duas crianças brasileiras. A amizade do marido com Dom Pedro II colaborou para a liberdade religiosa e para o trabalho evangelístico. Ao regressar definitivamente à Inglaterra, Sarah fundou a missão “Help for Brazil”, que mais tarde se reuniu a outras entidades para constituir a “União Evangélica Sul Americana” (U.E.S.A.).

Catherine Booth (1829 – 1890)

Catherine Mumford em Ashbourne nasceu no condado do Derbyshire, Inglaterra. Desde bem nova era reconhecida como séria, religiosa e sensível. Aos 14 anos, uma enfermidade na coluna obrigou-a a deixar a escola, mas, ainda assim, foi uma brilhante aluna e estudou teologia, história, geografia e filosofia. Filiou-se numa Igreja Metodista e suas inquietações sociais fizeram com que se comprometesse com a “Band of Hope”, uma sociedade de temperança para meninos e adolescentes da classe operária fundada em 1847, onde os membros faziam votos de abstinência total (alcoólica) e faziam também propaganda contra as bebidas alcoólicas. Por esse tempo Catherine também foi ativista do “Temperance Movement”, escrevendo cartas sobre este problema a numerosos jornais e autoridades. Ela conheceu William Booth em 1852 numa pregação em sua igreja e se casou três anos depois. Juntos eles começaram a dar assistência aos pobres da cidade. Eles saíam pelas ruas convidando a todos para seus cultos nas tendas armadas na rua e muitas vezes, William chegava em casa molhado de bebida e ovos podres que eram jogados nele durante as cruzadas. Quase todos os seus oito filhos trabalhavam com eles na missão e em pouco tempo eles foram para os EUA para estabelecer o mesmo trabalho.  O Exército de Salvação nasceu em 1878 e hoje atende pessoas em 94 países, verdadeiramente um grande final para uma mulher doente, com educação caseira e oito filhos para cuidar.

Aimée Semple McPherson (1890 – 1944)

A fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular nasceu no Canadá. Mas foi em viagens missionárias pelo mundo que Aimée realizou curas e milagres e ficou muito conhecida, pois usava métodos modernos de evangelismo para a época, especialmente o rádio. Aimée fez sua primeira viagem transcontinental em 1918, atravessou o continente em seu carro com uma frase: “Carro do Evangelho” e “Jesus voltará, prepare-se!”. No dia 1 de janeiro de 1923, foi inaugurado o templo Sede Internacional Angelus Temple com capacidade para 5000 pessoas e Aimée dirigia 21 cultos por semana. Trinta e três dias depois foi inaugurado o Instituto de Treinamento Evangelístico e Missionário e em 6 de fevereiro de 1924 ela consagrou a primeira rádio pertencente a uma igreja nos Estados Unidos e a terceira de emissora em Los Angeles, a KFSG. Aimée também foi autora de vários livros. Durante sua jornada foi perseguida e passou por muitos problemas de saúde. Mas perseverou e atualmente, a Igreja do Evangelho Quadrangular já está presente em 146 países ao redor do mundo. Sua sede mundial ainda fica em Los Angeles, Califórnia (EUA), mas a igreja funciona de forma autônoma em cada país.

 

Ruth Bell Graham (1920 – 2007)  

Ruth Bell Graham,  esposa do evangelista Billy Graham, nasceu em Qingjiang, Kiangsu, China. Passou a infância nos campos de missões da China ao lado dos pais e dos irmãos – Rosa, Virginia e Clayton; rodeados de doença, do desespero, da desordem e do caos das guerras civis chinesas. Aos 13 anos, Ruth foi enviada para estudar num internato em Pyonyang, hoje Coréia do Norte. Ruth concluiu o colegial em Montreat, Carolina do Norte, EUA, enquanto seus pais estavam de licença do campo missionário. Em 1937, ela se matriculou na Faculdade de Wheaton, onde três anos mais tarde foi apresentada ao “pregador” Billy Graham. Durante um breve período, Ruth serviu como esposa de pastor em Western Springs, Illinois, antes que Billy fosse transferido para servir como evangelista da Juventude para Cristo e Presidente das Escolas do Noroeste em Minneapolis, Estado de Minnesota.

Com o aumento do tempo que passava sozinha, devido as frequentes viagens de pregação e com seu primeiro bebê a caminho, Ruth convenceu Billy a se mudar com a família para perto dos pais, em Montreat. O ministério de Ruth floresceu nas montanhas do Oeste da Carolina Norte, onde ela estabeleceu o domicílio da sua família e criou os cinco filhos do casal. Ruth firmou seu papel como a mulher forte por trás do “Pastor da América” sendo a confidente mais íntima de Billy. Ela gostava de mover-se nos bastidores, longe dos holofotes, e ajudava-o a pesquisar e esboçar sermões e os livros. Ruth escreveu e coescreveu 14 livros, incluindo “Sitting by My Laughing Fire, Legacy of a Pack Rat, Prodigals and Those Who Love Them, and One Wintry Night”.

Melody Green 1946

Melody (minha preferida) foi casada com Keith Green, e embora tenha nascido em Hollywood, veio ao mundo de maneira muito discreta. Cresceu em Veneza em um apartamento pequeno de frente para um beco, chamado Speedway. Melody sempre observava a perfeição das estrelas e os pores do sol, nisso ela imaginava existir um Criador por de trás de tanta perfeição. 

Seu pai era um veterano da Marinha da Segunda Guerra Mundial, caçador, pescador, e um trabalhador de fábrica pelo comércio. Sua mãe trabalhou em uma empresa de CPA e foi criada em uma família judia ortodoxa, filha de refugiados russos. O avô de Melody era um rabino, sua avó, era filha de um grande rabino. Escapando a perseguição nazista, seus avós juntaram seus cinco filhos e pegaram um trem para o estaleiro em Odessa.

Melody diz ao site do LDM:

É um milagre eu estar viva! Minha família quase não escapou da morte em Odessa, a caminho de comboio até o porto, eles desviavam de balas disparadas contra eles pelas janelas. Meus preciosos avós colocavam as crianças no chão com cobertas e travesseiros para protege-los. Eles chegaram ao porto, escapando no último navio que permitiria que os refugiados fugissem. Minha mãe era a sexta criança. 

A história da minha família tem desempenhado um papel importante na formação do meu coração para NÃO desprezar qualquer tipo de perseguição, preconceito ou injustiça. Muitas coisas estão erradas. Meu espírito me dizia isso por muito tempo antes mesmo de eu conhecer o Senhor.

Sendo de família judia, Melody já sabia que existia um Deus, mas ela sempre se sentiu muito distante.

Aos 20 anos de idade, Melody estava envolvida com drogas no movimento Hippie, com seu maior anseio de buscar uma conexão genuína com o Deus que ela acreditava estar lá em algum lugar. Então foi aí que Melody foi para uma Escola Sabatina, onde estudou filosofias orientais, astrologia, misticismo. Foi também para o Japão com um grupo de budistas, onde por um curto tempo ela se tornou uma mulher admirável pelo grupo. Mas, como qualquer outra coisa, era como escorrer a areia pelos dedos dela. Tudo isso não agarrava seu espírito de forma duradoura.  

Após a faculdade, Melody desenhou roupas no famoso Garment District em Los Angeles. Mais tarde, ela conseguiu um emprego em uma empresa de produção. E foi exatamente lá que conheceu Keith Green, um aspirante a músico que estava em uma jornada espiritual muito semelhante a dela. Dentro de um ano, eles se casaram e continuaram sua busca espiritual juntos. Melody então começou a projetar e criar roupas únicas para ela e Keith para os shows que faziam em sua boate em Hollywood e em suas audições das gravadoras.

Em 1975, Melody e Keith foram convidados para um pequeno estudo bíblico em Bel Air. Desde então suas vidas mudaram para sempre! Melody finalmente encontrou a verdade que ela tanto procurava, mas em um lugar inesperado.

Ao se intitular cristã, Melody decidiu apenas fazer o que a Bíblia dizia para ser feito. Então, ela e Keith abriram as portas de sua pequena casa e levando crianças com problemas com relação à drogas e gravidez inesperadas, levando-os para o Senhor. Faziam jantares e estudos bíblicos para toda a vizinhança. Com o crescimento, tiveram que alugar todas as casas do quarteirão e depois se mudar para um lugar maior.

Em 1982, o ministério teve um impacto mundial. Melody editava a revista The Last Days Magazine, além de escrever muitos artigos para a revista.

Após a morte trágica de Keith, em um acidente de avião, nesse mesmo ano, no outono de 1982, Melody viajou pela América com o Keith Green Memorial Concert, atingindo mais de 300 mil pessoas. Uma vez que o campo da missionário era o última coisa que ela e Keith compartilhavam, Melody era a única que poderia levar adiante esse desafio. Loren Cunningham, o fundador da Youth With A Mission, disse:

Este foi o maior desafio de missões na história que eu conheço.

Em março de 1983, Melody demorou algum tempo para dar à luz a sua nova filha, Rachel Hope. Melody era uma mãe solteira com duas meninas pequenas e liderava um grande ministério internacional. Foi em um momento em que as mulheres líderes eram poucas e não tão reconhecidas, mas o Senhor concedeu à Melody uma grande missão e continuou a usar tanto ela como o LDM de maneira incrível!

Em 1985, Melody tornou-se precursora no movimento Pro Life. Ela diz:

O Senhor me disse para ir contra  o aborto até a linha de frente.

E é claro que ela levou todos os voluntário do LDM com ela para esse movimento. Ela lançou “Americanos Contra o Aborto” em um momento em que os pastores raramente mencionavam sobre aborto ou sentiam que os fiéis deveriam abordar tal tema. Mas Melody colocou a “cara para bater” e isso rendeu muito frutos. 

Nessa época, Melody cruzou a nação ensinando a perspectiva bíblica em cuidar da vida, exortando todos os cristão a assumirem uma posição firme frente a esse tema.

Melody, em muitas ministrações vestia colete à prova de bala devido a ameaças de morte. Realizava reuniões e conferências de imprensa seculares, liderando marchas contra o aborto. Ela já foi presa uma vez durante um protesto pacífico, onde passou a noite na prisão e depois foi para casa com uma lesão na cabeça.

Nos anos seguintes, Deus abriu muitas portas imprevistas para a Melody, onde chegou a ser convidada para a Casa Branca para se encontrar com os presidentes, senadores e outros cargos políticos. 

Hoje, Melody ainda supervisiona a LDM, onde sua voz pode ser ouvida em vários artigos, textos relevantes sob uma perspectiva bíblica. 

Acreditando que cuidar dos outros não é algo opcional, mas o dever de todo cristão, Melody estabeleceu o Good Neighbor Mercy Fund, permitindo que o LDM criasse doações para vítimas de catástrofes, doentes e necessitados. O LDM já ajudou vítimas do tsunami asiático e do furacão Katrina, bem como outras necessidades urgentes.

Com sabedoria de décadas que ela chama de “vida real” e “vida ministerial”, Melody enfrentou várias tragédias e perdas pessoais, mas até hoje, Melody transborda gratidão. Ela diz:

Hoje eu tenho mais fé na bondade e fidelidade de Deus como nunca antes. Quando as coisas terríveis acontecem, Ele pode transformar essas coisas para o nosso bem, mas só se tivermos paciência de esperar enquanto estamos aflitos.

Desde então, Melody liderou e lidera o ministério que ela e Keith começaram: Last Day Ministries. Juntos foram para mais de 30 nações para falar em retiros, conferências e serviços da igreja … Também ministrou para homens e mulheres nas prisões, campos de refugiados, aldeias remotas, igrejas subterrâneas e aqueles que vivem em zonas de guerra.

Além de escrever músicas, Melody também é conhecida internacionalmente como escritora e ministra.

Seu livro mais vendido: “No Compromise. The Life Story of Keith Green” tornou-se um clássico imprescindível, traduzido para vários idiomas. E os artigos do ministério são distribuídos como LDM WiseTracts.

Atualmente, Melody tem duas filhas e quatro filhos, todos casados.

 

3 Replies to “MULHERES QUE ME INSPIRAM | Por Giselle Prado”

  1. Helenice Rosa de Camargo Agrella says: Responder

    Mulheres maravilhosas e guerreiras de Cristo!
    Conhecia a história de Aimee Semple Macpherson pois me converti na igreja do Evangelho Quadrangular e um pouco de Melody Green que confesso, chorei copiosamente, uma vida dedicada a amar ao próximo como Jesus ensinou, sem interesses financeiros algum, somente almas, algo inimaginável nos dias de hoje…
    Existem muitas, eu creio ,que não são conhecidas e muito fazem ou fizeram para o crescimento do reino , a mulher é muito usada por Deus…
    Quero ser usada também em nome de Jesus!!

    1. Incríveis né?! Referências pra nós <3 Eu também chorei muito quando conheci a história dela

  2. É lindo ver histórias de mulheres corajosas e verdadeiras cristãs. Infelizmente suas histórias são deixadas de lado, ou até mesmo não chegam a ser conhecidas, mas podemos perceber que onde há um grande testemunho, sempre há uma grande mulher de Deus no meio disso tudo. Que muitas meninas se inspirem ao ler esse post ❤

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