NOVE MESES E UMA VIDA | Por Giselle Prado

Muito se é falado sobre PATERNIDADE, mas pouco sobre MATERNIDADE.

Não sou mãe. Estou noiva apenas. Mas há mais ou menos um ano, Deus me traz palavras e usa pessoas para confirmar sobre um período de gestação espiritual que estou vivendo.

Maternidade, sem dúvidas é um dos momentos mais lindos e esperados por muitas de nós, mulheres. Mas certamente, ser mãe é uma tarefa nada fácil. Com o nascimento de um bebê, nasce também uma experiência totalmente nova para a mulher, em vários aspectos. A maternidade tão sonhada e desejada não é somente feita de momentos de amor e realização, mas também de muitos medos, dúvidas, mudanças de humor, de sentimentos e pensamentos…

A verdade é que com tantas opiniões que se ouve durante a gravidez e no pós-parto, a maternidade mesmo só é totalmente compreendida na prática.

E é por isso que escrevo à vocês. Tenho vivido dias de desconforto, preocupações e ansiedade, mas ao mesmo tempo, sentido muita expectativa por aquilo que está por vir. Sinto nitidamente, minha carne militando contra meu espírito e a gestação de algo novo em mim. Ele tem me dado graça e entendimento nesses dias e quero compartilhar com vocês.

Tenho aprendido, a diferença entre paternidade e maternidade. Paternidade está muito ligada a prática de cuidar, proteger e direcionar. Quanto que maternidade está ligado a gerar vida, e relação extremamente afetiva com os filhos, porém ambas andam juntas. Quando vivermos e entendermos a paternidade de Deus, geraremos filhos e projetos saudáveis.

Jesus exprime em sua essência, essa característica paterna. Ele cuida de nós e ele nos ensina a cuidar de outros exercendo também a paternidade. Mas nós, como Sua noiva, devemos entender também o conceito e a prática de maternidade, pois Ele nos chama não somente para cuidar de vidas geradas por outros, como também, ele nos chama para gerarmos vidas, através Dele, e então também cuidarmos.

Como entender e viver esse processo de gestação?

1.  É PRECISO QUERER SAIR DA ESTERILIDADE 

Quão difícil é querer gerar algo quando olhamos e vemos um ventre totalmente seco. Uma vida cheia de traumas, machucados e cicatrizes. Sem capacidade alguma para gerar vida. Mas esse querer deve ser o ponto de partida, pois esse também é o querer Dele:

Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome. João 15:16

Precisamos entender a urgência de gerarmos filhos, e filhos sadios. Não podemos nos contentar somente com pessoas levantando as mãos aceitando a Cristo. É preciso de acompanhamento, discipulado, relacionamento.

Se você é espiritualmente incapaz de gerar filhos, rogue fervorosamente ao Espírito Santo que derrame tristeza em seu coração. Ah, que vergonha são nossos altares estéreis! Será que o Espírito Santo se deleita com nossos órgãos elétricos, nossos corredores acarpetado e a nova decoração, quando o “berçário” está vazio? Não! Ah, que o silêncio mortal de nossos santuários seja quebrado com o bendito choro dos “recém-nascidos”. – Leonard Ravenhill

2. SE PREPARE; GERANDO EM ORAÇÃO

O período de gestação sem dúvidas é um tempo de preparo. É o tempo em que os membros, corpo e órgãos, serão formados. É um tempo onde Ele irá nos desconstuir em muitas áreas para nos construir da maneira certa. Certas estruturas irão ser colocadas no chão, para que Ele levante as que tem fundamento correto. Então leitura da Bíblia e oração são essenciais para não desistirmos da gestação e abortarmos o propósito de Deus. Esses dois pontos irão nos sustentar no processo e nos ajudar a ajudar a outros a nascerem em Jesus.

Tenho sido despertada nessa área. Na importância de orarmos. Quando oramos entendemos a responsabilidade que carregamos quando cuidamos de vidas. Vidas superficiais tem enchido igrejas porque não tem líderes que oram e ensinam seus filhos espirituais a orarem também.

3. SE SUBMETA AO PROCESSO

É verdade que a ciência conseguiu diminuir muito o sofrimento de um parto literal hoje, em relação ao que nossas mães enfrentaram no passado. Mas ela nunca conseguirá reduzir a duração dos longos meses de espera, necessários para a criança ser formada. Gerar uma vida não acontece do dia para noite e o nascimento de um filho ou um projeto para o Reino também não é assim. Leva tempo. Precisamos respeitar o tempo de espera de cada um e valorizar esse tempo. Coisas novas Deus está gerando dentro de nós.

4. SENTINDO DORES  

O nascimento de uma criança é precedido de meses de esforço e cuidado em que a mãe carrega seu peso, e pelo difícil trabalho de parto. Sem dúvidas, quando estamos gerando um projeto, ou uma vida em Deus, passamos pelos mesmos desafios e cuidados de uma gravidez literal. E quão me identifico com isso. Você também? Queremos muitas vezes desistir, fugir ou nos calar… Mas essa não é a solução. Precisamos estar prontos para sentirmos essas dores e desconfortos.

Jesus orou pela igreja, mas, depois, para que ela nascesse, Ele teve de entregar a Sua própria vida. Também Paulo orava pela igreja. Mas não só isso; ele sofreu o trabalho de parto. E Sião só deu à luz a filhos quando passou pelas dores do parto.

Olhe o que Ravenhill fala a respeito:

Assim como na gravidez a criança em desenvolvimento causa perturbações no corpo da mãe, assim também o “corpo” do avivamento que cresce na igreja causa perturbações nela. A mulher que aguarda o nascimento de um filho se cansa mais à medida que o dia se aproxima (e muitas vezes passa noites em claro, e derrama lágrimas). Assim também, muitas vezes, os intercessores sentem o peso das iniquidades da nação, e derramam a alma perante Deus em favor dela altas horas da noite. Há casos em que a mulher grávida perde a vontade de alimentar-se, ou é obrigada a abster-se de certos alimentos em benefício da vida que carrega no ventre. Assim também os crentes que se sentem envergonhados com a esterilidade da igreja fazem jejuns e são levados, por um grande amor aos perdidos, a permanecer em silenciosa intercessão perante o Senhor. Da mesma forma como as mulheres, até certo tempo atrás, procuravam evitar aparecer em público quando se aproximava a hora do parto, também aqueles que sofrem a dor de parto pelos perdidos procuram o recolhimento para buscar a face do Deus santo. 
5. ELE CHAMA OS IMPROVAVÉIS PARA GERAR
Foram as mulheres estéreis que geraram os homens mais nobres da Bíblia. Sara, que foi estéril até a idade de noventa anos, gerou Isaque. Raquel, gerou José, que foi o libertador da nação. A esposa de Manoá gerou a Sansão, outro libertador. Ana, de alma abatida, chorou no santuário, fez uma promessa a Deus, perseverou em oração, ignorou a zombaria de Eli, derramou a alma perante Deus, e foi atendida, pois gerou a Samuel, que se tornou um profeta de Israel. Rute, que além de estéril era viúva, encontrou misericórdia e gerou a Obede, que gerou a Jessé, que por sua vez foi o pai de Davi, de cuja linhagem veio nosso Salvador. Isabel, que era já bastante idosa, gerou a João Batista, a respeito de quem Jesus afirmou que não havia profeta maior que ele, dentre os nascidos de mulher. Se essas mulheres não tivessem se se quebrantado pelo fato de não terem filhos, tais homens não teriam nascido.
Por isso, olho para minhas cicatrizes, traumas e incapacidades e creio Naquele que me chamou para gerar. Não ando por aquilo que posso fazer, mas por aquilo que um dia Ele me disse que faria.
6. GERANDO PARA O REINO, NÃO PARA SI PRÓPRIA
Eu não sei se você é mãe, mas mães em sua maioria, tendem a ter uma certa dificuldade de entregarem seus filhos ao mundo, quando estes estão aptos a viverem suas vidas sem elas, as chamadas “mães corujas”.
E o que vejo, é que muitos nós queremos gerar filhos, porém não para o Reino, mas sim para si próprios, e acabam manipulando seus filhos, os criando em bolhas espirituais, em torno de si mesmos, para receberem aplausos e títulos de pais e mães espirituais. Precisamos nos desprender disso.
Raquel apesar de gerado um grande homem de Deus, José, ela teve inveja de sua irmã Lia e não entendeu o princípio de gerar para o Reino. Tanto não entendeu que em sua segunda gestação, em que ela gerou Benjamim, Raquel acabou morrendo no parto. Muitas vezes nos parecemos com Raquel. Vemos outros sendo abençoados e não a nós. Mas precisamos ser como Lia e Ana que entenderam que o gerar era uma benção dada por Deus, no tempo em que Ele determinar e que tudo o que gerarmos é para Ele e não para nós. Nosso ego será destruído, mas Ele será exaltado.
7. AQUELE QUE ENTREGOU O PRESENTE É MAIOR
Certamente, o cuidar e gerar vidas é um presente dado por Ele, mas não podemos nos esquecer que maior é Aquele que nos entregou o presente do que o próprio presente. Então o que deve sempre, nos importar é agradar o coração do Rei. Estamos aqui para agradar em primeiro lugar o coração Daquele que nos fez férteis. À Ele toda a nossa devoção.

 

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