MEU QUARTO E JESUS | Por Giselle Prado


Há dias que a vontade de colocar no papel aquilo que tenho vivido, pensado e sentido tem sido intensa. Há dias que venho me despejando e desabrochando em letras… Sinto uma necessidade que arde em mim em ter que registra-las, mas sinto também que há uma necessidade para aquele que lê cada palavra escrita aqui.

Bom, vamos ao que Deus ministrou em meu coração e me fez relembrar…

Intimidade… Quão difícil é nos tornarmos íntimos de alguém o qual não pertence a nossa família. É necessário que haja um querer em nosso coração em nos aproximar da pessoa. Exige coragem de irmos até a pessoa ou permitirmos que ela chegue até nós. Mas antes de mais nada, só queremos ser íntimos de alguém se vermos nela algo que nos agrada verdadeiramente, que nos identifica e edifica, onde há amor, paz e segurança. Então começa a aproximação. Mas a intimidade não nasce do dia para a noite. Nem de uma semana para outra ou de um mês para o outro. Intimidade exige tempo. Tempo esse que requer um conhecimento de ambos os lados, ou seja, um relacionamento. Dia após dia com base em transparência total. Onde quero chegar?

Eu O chamei! Não bastava para mim apenas encontros rotineiros e rasos em uma sala. Eu O chamei para o meu Quarto. Sim… Vi algo em Jesus onde não há em nenhum outro lugar ou ser humano e entendi que Ele é um Deus cheio de mistérios que deseja revelar mistérios que jamais foram revelados a ninguém, mas mais do que isso, eu queria O conhecer!

“Senhor, quem é o Senhor? Quanto tempo eu Te sirvo, sem Te conhecer?” Essa foi a minha pergunta, em uma noite em meu quarto, com a janela aberta, olhando para imensidão do céu, após um culto tremendo, ouvido de um Pastor sobre um Deus de milagres, mistérios e maravilhas que Deus havia operado em tempos bíblicos e atuais. Aquilo mexeu profundamente comigo. Deus de maravilhas… Percebi que eu apenas ouvia falar de Jesus, mas não havia tido uma revelação pessoal de quem era Jesus. Como assim? Eu havia nascido na igreja e até então estava presente em todos os cultos… Pois é, ir à igreja não significa que somos a igreja. Ir à igreja não quer dizer que conheço de fato a Jesus. Há muito mais mistérios nisso do que possamos imaginar. Mistérios profundos quanto ao conhecimento de quem é Jesus. Senti naquela noite que Ele queria se revelar a mim e que ouviu atentamente minha voz enquanto eu O perguntava quem era de fato Ele. Encerrei minha oração dizendo: “Jesus, me faz Te conhecer, transforma toda a minha vida, faz os meus olhos verem o que não viram ainda, amém!”.

Uma sede então brotou em mim. Sede de ler a bíblia. Sede de louvar. Sede de ler livros. Sede de estar na presença de Deus! A medida em que a sede brotava e eu a saciava, mais vontade de estar na presença de Deus me dava. Que incrível! Todas as noites, após a meia noite, porta fechada, luz apagada e eu lá em meu quarto, as vezes no chão chorando, ou as vezes na janela aberta olhando para o céu, apenas dizia: “Jesus, seja bem-vindo!” E então a presença dEle vinha e enchia meu quarto. Que alegria! Que unção! Pulando eu estava. Falava em línguas, louvava e me derramava aos pés dEle. Mas qual era a minha oração? Eu apenas conversava com Ele contando sobre o meu dia. Sim! Ele estava se revelando a mim! Estávamos construindo um relacionamento de intimidade! Ninguém via. Ninguém ouvia. Não havia ninguém além de mim e do meu Senhor. Noites e mais noites na presença do meu Jesus, dias também que eu não O sentia poderosamente, mas O sentia de forma suave. De todas as formas Ele sempre esteve presente e sempre vai estar! Eu dei o passo em querer conhece-Lo, e Ele estava a porta do meu quarto pronto a entrar e sentar.

Eu falava de tudo! Absolutamente tudo… Alegrias e tristezas. Assuntos importantes e assuntos meramente sem importância alguma. Mas Ele ouvia. Eu O senti! E não há nada nesse mundo que faça eu duvidar da Sua presença. É como se eu visse Jesus sentado, com uma das mãos apoiando o queixo, atento, querendo ouvir tudo… Olhos de paz… Feição singela. Intimidade! Já não podia mais passar se quer um dia sem falar com o meu Senhor! Ele estava respondendo dia a após dia a pergunta “Quem é o Senhor?” e eu queria conhecer mais e mais.

Pude ver depois de um longo período, que eu havia construído um relacionamento íntimo com Deus ao ponto de eu conseguir ouvir claramente a voz dEle em meio a situações simples da vida como por exemplo “não entre nesse vagão do metrô”, “fale isso para determinada pessoa”, “não vá em tal lugar”. Maravilhoso! Experiências incríveis é o que tenho vivido.

Mas havia o outro lado da moeda. Quanto mais eu conhecia a Deus, mais eu via a imundice do meu coração e que ainda vejo, pois o processo de conhecimento de quem é Jesus só irá finalizar quando eu adormecer em Cristo. Com isso pude ver o tamanho do amor, da misericórdia e graça do meu Jesus, em querer entrar em meu quarto, ter um relacionamento íntimo comigo, que sou mortal, cheia de falhas e pecados. Tudo isso só aumentou e aumenta meu desejo por conhecer mais e mais sobre esse Deus. Sua personalidade. Seu caráter. Sua cultura. Seu Reino!

Sinto que há um anseio no coração de Deus em querer entrar em muitos quartos, isso é, estabelecer um relacionamento íntimo. Quarto significa intimidade. Ele quer entrar verdadeiramente nos corações de maneira profunda. Lugares onde deixamos apenas pessoas que sentimos confiança e que somos íntimos, ou nem elas, apenas nós mesmos. Ele quer entrar e estabelecer intimidade.

Eu O tenho conhecido e Ele tem se revelado a mim. No meu quarto está sentado Jesus, revelando a mim como melhor amigo, Aquele com quem eu posso confiar, falar de tudo, sem culpas, sem acusações, sem medo. Melhor amigo! Amigo que além de não acusar, proporciona paz, amor e graça. Ensina o caminho. Corrige com amor os erros e me leva a eternidade.

Quem não conhece a Deus recua sempre na batalha, mas quem conhece Jesus vai em frente, pois Ele sempre está presente e não falha!

Obrigada pelo nosso Quarto, Jesus!

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