SOMOS O DELINEADO SINGULAR DE DEUS | Por Lara Dias

O mês de Março está chegando ao fim, dia 08 foi celebrado o dia internacional da mulher, e como mulher resolvi escrever esse texto, sobre aceitação, muitas de nós passamos pelo processo de nos autoaceitar, de nos olhar no espelho e nos amar. NÓS SOMOS A MAIS PERFEITA CRIAÇÃO DE DEUS!

Todo dia nós mulheres somos impulsionadas a buscar uma perfeição fora da nossa realidade.

É praticamente uma tortura o que fazemos com nós mesmas em prol da busca pela imagem perfeita, perfeição essa que parece inalcançável, afinal de contas sempre vai ter alguma coisinha que ainda pode melhorar, um processo difícil tem sido o aceitar-se, geralmente estamos sempre insatisfeitas com nossa autoimagem.

Em uma pesquisa sobre o assunto, encontrei essa estatística que muito me assustou:

“Algumas pessoas afirmam que os padrões de beleza estão mudando e abrangendo mais a diversidade. No entanto, dados estatísticos mostram que a pressão para serem “perfeitas” ainda impacta muito a vida das meninas. Recentemente, a instituição britânica Girlguiding revelou os resultados chocantes de uma pesquisa que eles fazem anualmente com meninas de 7 a 21 anos, sobre diversas questões do cotidiano feminino. Apesar de ter sido realizada no Reino Unido, os resultados refletem muito da realidade feminina pelo mundo.

Foram entrevistadas mais de 1.600 garotas para chegarem aos dados apresentados no relatório. Você acredita que 75% das participantes, de 11 a 21 anos, concordam que mulheres são julgadas mais pela aparência do que pelas habilidades? No mínimo assustador. Isso está bem relacionado ao fato de que grande parte delas acredita que as pessoas fazem meninas pensarem que a aparência é a coisa mais importante sobre elas.

Se você já achou essas informações tristes, os impactos delas são ainda mais: 41% das garotas, entre 11 e 16 anos, se sentem constrangidas ou envergonhadas pela aparência na maior parte do tempo. Essas meninas, inclusive, deixam de fazer várias coisas por causa disso, como usar alguma roupa, tirar fotos, praticar exercícios, falar em público e até mesmo frequentar certos lugares.

Conforme a idade aumenta, as cobranças pessoais também crescem. Olha só as porcentagens de meninas que sentem que precisam ser perfeitas quase o tempo todo:
– De 7 a 10 anos: 23%
– De 11 a 16 anos: 46%
– De 17 a 21 anos: 61%

A maioria das garotas entre 11 e 21 ainda concordou que precisa perder peso e que não se sente bonita o suficiente. Além disso, 37% delas confessaram que se comparam com celebridades constantemente. Percebe como a pressão por ter uma aparência supostamente “ideal” mexe (e muito!) com a confiança das meninas? Surpreendentemente (ou nem tanto), garotinhas de SETE ANOS já têm essa preocupação… ”

Matéria completa no link http://capricho.abril.com.br/vida-real/estudo-mostra-como-busca-pela-aparencia-perfeita-impacta-meninas/#respond

 

Por um período da minha adolescência, um simples comentário de mau gosto (na época do 5º ano do ensino fundamental) me desestabilizou para que aquilo que eu sou, não me deixasse mais feliz com minha aparência. Na verdade, eu estava na transição da infância para adolescência, não tinha essa malícia de preocupação com o que refletia no espelho, até alguém me apontar isso, de uma forma nada legal.

Com essas mesmas palavras uma colega de classe me atingiu: “COMO QUE PODE VOCÊ SER BRANCA E TER O CABELO DURO?!!

Antes de tudo quero dizer que não tenho nenhum preconceito com negros, ou uma pessoa branca ter o cabelo crespo (até porque eu sou uma), sei que muitas me entenderão e até mesmo já passaram por algo semelhante, naquela época (2005), tão novinha e tão sem informação, isso me chocou, a ponto de eu pensar que ser daquele jeito era errado. Eu nunca tinha aberto os olhos ao que estava ao meu redor, até ser confrontada assim. Comecei a reparar que na escola as meninas usavam o cabelo com chapinha, tinham o cabelo grande (meu cabelo sempre foi muito enrolado e cheio, cabelos cacheados secos ficam encolhidos, mesmo grandes dão a impressão de serem curtos), pelo fato dos meus cachos encolherem, eu queria porque queria que ele fosse grande, depois que comecei a ver as meninas na escola com cabelão nas costas.

Eu fiquei no pé da minha mãe dizendo que queria porque queria alisar o cabelo, queria cabelo sem volume e comprido, ela nunca deixava, dizia que eu ia me arrepender (mães sabem de tudo), que meu cabelo era bonito daquele jeito, mas eu teimosa estava batendo o pé, como eu era muito nova, tinha 11 anos, ela disse NÃO!

Como eu dependia da minha mãe tive que ser obediente, esperei até os 15 anos, foi horrível essa fase, era muito zoada na escola, os meninos diziam que eu era feia, e algumas meninas além de me chamar de cabelo duro, diziam que meu cabelo era de vassoura, diziam que eu era piolhenta, moradora de rua, enfim, era uma crueldade sem fim, e eu cada dia mais infeliz. Estava sendo impulsionada cada vez mais a não me aceitar.

Quando fiz 15 anos minha mãe deixou eu fazer procedimentos químicos no cabelo, como meu cabelo natural é muito cacheado não alisou de primeira, começou amansando os cachos, reduzindo volume, por conta da química ele esticou bem, então eu estava me achando rsrsrs, enfim a cada 6 meses eu aplicava o produto pois a raiz crescia, e fui fazendo isso até eliminar de vez meus cachos, e partir para a progressiva para usar o cabelo totalmente liso, com 17 anos eu já não tinha um cacho pra contar a história. Finalmente tinha me adequado ao padrão que me era imposto!!!

Meninas digo a vocês que manter uma aparência que não é sua, é mais difícil e doloroso do que se aceitar, se amar, além dos rios de dinheiro que eu comecei a gastar, aquela insatisfação estava voltando. De certa forma minha consciência me dizia:você  precisa mesmo desse desgaste para continuar insatisfeita?

Chega uma hora que cansa!

Ser escrava da chapinha e tudo aquilo que não é seu é chato, te aprisiona, eu estava com saudade de mim, da Lara de verdade, a natural dos cabelos enrolados e volumosos. Mas também faltava coragem, eu sabia que viria um processo difícil de novo, eu passei por uma transição para me tornar quem eu não precisava ser, e agora teria que repetir o processo transitório para recuperar minha identidade.

Em 08 de março de 2015, eu tomei definitivamente a iniciativa de parar de me escravizar, o que o meu então meio de convívio (faculdade e trabalho) impunham para mim já não me importava, estava com saudade de mim, de ser livre. Cortei meu cabelo curto e parei com qualquer química.

Chegou o dia de me aceitar de vez, depois de um período escondendo a raiz enrolada por baixo de uma chapinha, no dia 08 de agosto de 2015 foi minha mudança geral e desde então estou muitíssimo feliz, eu resolvi ir num salão e passei a tesoura em tudo, saí praticamente careca, já tem quase dois anos, e estou com um cabelo afro, que me deixa feliz olhando no espelho, me sinto eu, me sinto livre, e hoje entendo que muito mais que uma mudança estética, era uma mudança de dentro. De compreender que nada e ninguém pode anular a obra de arte que Deus arquitetou nesse molde que sou eu, porque sim se Ele te criou assim, alta ou baixa, magra ou mais cheinha, negra, branca, amarela, vermelha, azul haha, cabelo liso, ondulado, cacheado, crespo, careca, enfim, Ele te ama assim e você é perfeita assim como DEUS TE FEZ, se ame, porque o maior dos artistas foi o que arquitetou cada traço teu.

No meu trabalho, passei por uma situação que me constrangeu muito, mesmo estando feliz comigo, eu vi pessoas rindo do meu visual (atual). Como um desabafo escrevi isso para mim mesma e toda vez que leio, me sinto especial para Deus porquê de uma forma única e extraordinária Ele me criou e me ama assim:

“Por vezes, na verdade muitas, já me senti pressionada a seguir um padrão, já sofri discriminação por ser uma “negra da pele clara”, por ser uma “branca do cabelo ruim”, todos os dias ouço indiretas, observo olhares e cochichos alheios sobre minha aparência, dia a dia aprendo a lidar com isso, já fui escrava de alisantes para alinhar meus cachos, até cair de vez na escravidão da progressiva/chapinha. Eu não critico quem escolhe o que quer para seu visual, afinal o importante é nos sentirmos bem, hoje eu uso meu cabelo totalmente natural, apenas algumas luzes em tom cobre que não são naturais rsrsrs.

Me sinto bem em poder tomar um banho da cabeça aos pés quando eu bem quiser, poder me entregar num momento de adoração ao meu Deus sem me preocupar se a chapinha vai frisar na raiz rsrs, são coisas tão simples, mas como mulher me fazem me sentir livre com quem eu sou, com minhas raízes e origens. De fato, assumir minha natureza é muito mais que aparência, foi me libertar do que era imposto para mim. Sou filha de mãe negra e pai branco, cabelo “ruim” (como dizem) e pele clara, cabelo “ruim” e olhos puxados. CARAMBA DEUS ME FEZ DE UM JEITO TOTALMENTE INVERSO AO QUE O HOMEM IMPÕE, AFINAL SOU CRIAÇÃO EXCLUSIVA DELE! PARA ELE, EU SOU ÚNICA, O RESULTADO PERFEITO DO QUE ELE PROJETOU.

Somos sufocados todos os dias por tantas coisas, nosso país caminhando em crise, não é tempo de humilhar uns aos outros, ferir alguém a troco de nada, é tempo do povo se unir e marchar. O que alguém vai ganhar zombando da minha imagem? Talvez por algum momento isso me deixe triste, insegura e até passe pela minha cabeça regredir de tudo o que eu mesma conquistei (ser livre sendo quem eu sou), mas acredito que o respeito deve prevalecer entre humanos, afinal somos do jeito que fomos criados a ser.

Posso cair e me abater, mas me levantarei e seguirei em frente. Não para causar, mas porque de algum modo extraordinário fui criada e gerada de acordo com os pensamentos que Deus determinou, como um artista Ele projetou cada traço meu, até mesmo as molinhas do meu cabelo. Então porque não respeitar aquilo que alguém que tanto me ama sonhou para que eu fosse? Vamos acordar, amar e respeitar.

 Deus nos ama da forma singular que cada um de nós é.”